terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Hasta luego, Madrid





Acabo de chegar a Buenos Aires, de umas mini férias de 15 dias em Madri. Ansiava revê-la. Vivia a ansiedade de una novia enamorada que imaginava como estaria o ser querido depois de sua ausência. Que mudanças teria sofrido? Também haveria sentido a minha partida? Infelizmente, Madri não tem vivido seus melhores momentos e não seria EU nem muito menos a minha visita a resposta para o seu tormento. A “crise”, tão cruelmente vivida principalmente durante esse ano em que eu estive entre Argentina e Brasil, quase consegue tirar o protagonismo do reencontro.

 Quase. Com olhos mais atentos, e a maturidade que só o tempo e a distância são capazes de proporcionar, se pode ver claramente que Madrid continua a mesma, linda e interessante, com todas suas contradições. Às vezes cruel com um desavisado que simplesmente busca uma informação, às vezes doce e maternal surpreendentemente no momento mais inesperado.  Porém, sempre sincera.
“Salir de tapas” –sair de bar em bar – continua un gusto! E pelas calles – ruas – seguem as mesmas miradas espantadas, críticas e abusadas por um lado, e por outro, divertidas e sarcásticas. Madrid tem um humor fino e rude a la vez – ao mesmo tempo –que pode despertar tudo menos indiferença.  


Os 3 anos em terras espanholas foram intensos. No início, ameaçador e sofrido – na verdade, “NO” foi a palavra que mais imediatamente compreendi em língua espanhola, com todas suas diferentes entonações e possibilidades (ou impossibilidades). Um pouco dessa experiência tentei explicar aqui, sobretudo no primeiro ano do blog. Tempos depois encontrei uma Madri mais doce, acolhedora e inclusiva. Tudo ao contrário que à primeira vista. Pouco a pouco, descobri a dinâmica local e tentei tirar proveito do que me apresentava de revelador.  Foi uma aventura!

Agora, ficam as lembranças. Só me resta dizer: - Bom te ver de novo, Madrid. Os momentos em que passamos juntas agora e antes vão ficar pra sempre marcados na nossa memória. Espero que no nosso próximo encontro me contes que saístes Desta para Uma muito melhor; fortalecida e otimista. Te quiero, querida. Hasta luego y ¡cuídate mucho! 



domingo, 13 de novembro de 2011

Do que um estrangeiro precisa

A Casa Rosada - Buenos Aires (sede do governo argentino)

Tivemos uma boa recepção desde que chegamos a Buenos Aires. Sempre que conhecemos alguém, é muito comum ouvirmos "- Olha, do que você precisar, é só ligar, que estou à disposição para o que for."

No início, era um alívio ouvir isso. Saber que tinha carta branca para chamar quando necessário. No entanto, as "dúvidas" principais foram solucionadas com uma boa Relocation (empresa contratada pela empresa do meu marido para adaptar a família expatriada). Entre outras coisas, uma Relocation te ajuda a decidir qual bairro você vai morar, te ajuda a buscar casa com uma boa imobiliária, escola de filho, indicações de médicos e dos mais variados serviços.

Quando vivíamos em Madri, a Relocation contratada pela empresa era um zero à esquerda, horrível, muito mal resolveu a parte burocrática que se refere aos papéis de permanência no país. Aqui, felizmente, nos deparamos com um bom serviço. Assim, na verdade não tenho bons motivos para ligar para ninguém pedindo ajuda. Os problemas que temos são naturais do processo e dependem de tempo para se acomodarem.

Significa dizer que esse tipo de ligação, para pedir ajuda por algo, a princípio, não haverá. No entanto, necessitamos muitíssimo socializar-nos, fazer amigos e conviver com as pessoas daqui. Outro dia, quando me perguntaram de novo, respondi que do que eu precisava mesmo era de um café, sair para tomar um café. Senti que a pessoa que me perguntou não esperava essa resposta e pareceu em pane, coitada. Ainda por cima fiquei de ligar para marcar a ocasião. A pobre da moça deve tremer de ansiedade quando vir uma ligação minha...  :)

É que a experiencia me diz que na maioria das vezes a iniciativa tem que partir do próprio estrangeiro. As pessoas em geral estão tão metidas na sua rotina que não se dão conta, ou preferem não sair da sua zona de conforto. Significa dizer que se se vai viver em outro país com a família, é necessário tentar superar qualquer timidez, ligar para as pessoas, convidá-las e vencer o medo de incomodar. Não é fácil, no entanto. Essas coisas tenho dito para mim mesma. O mais comum é estar "pisando em ovos".

Sinceramente, do que um estrangeiro precisa é o que qualquer pessoa precisa: sentir-se em casa. Estar cómodo, ter seus filhos bem adaptados no colegio, ter bons amigos e uma rotina agradável. Se alguém quer realmente ajudar, deveria começar tentando conhecer melhor esse estrangeiro e sua família, convidar para sair e estar por perto. Nessas ocasiões, é comum se descobrir afinidades e com isso se estabelecer algum tipo de convivência agradável e beneficiosa para ambos.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Ser estrangeiro - Parte 2


Acho que aos poucos ser estrangeiro passa a ser mais um estado de espírito do que uma questão de geografia. É uma sensação de deslocamento, de não pertencimento. Acabo de voltar do Brasil e nunca foi tão forte esse sentimento, o de “estar sem estar, de ser mas não ser”.  As idas ao Mundo de lá (Brasil) são sempre precedidas por ansiedade, felicidade e expectativa; a tão famosa necessidade de regressar de Saramago. No entanto, é óbvio que pelo menos por enquanto aquele também não é o meu mundo. Depois de quase 4 anos fora, tudo provoca uma estranheza. Algumas questões práticas amplificam essa sensação, como o fato de que a pequena estrutura que contamos no Recife é proporcionada pelos familiares, quero dizer, não é nossa de verdade:  carro, celular, casa... Além disso, por opção nossa, cada vez mais as idas ao Brasil se resumem a compartilhar da companhia dos familiares mais próximos, restando pouco tempo para curtir a praia, redescobrir a cidade, rever velhos amigos. A cada ida, vivemos uma angústia entre estar mais tempo com a família, rever todos que gostaríamos ou ter o tempo livre sem uma agenda abarrotada de compromissos. Estar longe é difícil, mas estar perto nestas condições também é. Apesar disso, tão logo voltamos a Buenos Aires, a saudade começa a apertar, e já começamos a programar nossa ida ao Brasil para o mais breve possível, ansiando novamente que chegue o grande dia e que possamos mais uma vez abraçar e estar perto das pessoas que amamos. É, pensando bem, nisso a estrangeirice é menor... esses arroubos afetivos são bem coisa de brasileiro.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Eles, os amigos

Desde que nos mudamos para Madrid, estabelecemos que toda sexta-feira à noite, pelo menos na sexta, sairíamos para um bar, restaurante, teatro, cinema, enfim... O que não excluiria a possibilidade de sairmos outro dia da semana. No entanto, a sexta-feira é sagrada. Uma noite na semana sem filhos.

Quem já morou na Europa sabe que isso é um luxo, não é fácil organizar uma canguro para ficar com os filhos, o que em geral também é caro. Por isso mesmo, existe uma rede de solidariedade entre os amigos que tem filhos, cujos pais se revezam cuidando dos filhos uns dos outros, ou contam com a família. Ainda assim, é algo esporádico. Até nisso me considero uma pessoa de sorte, encontramos uma brasileira que possibilitava a mordomia.

De volta a América do Sul, voltamos a seguir a mesma rotina das sextas-feiras. Pois bem, na sexta-feira passada, quando já estávamos a caminho de algum bar em Dardo Rocha, um pouco entediados por uma semana difícil e chuvosa em Buenos Aires, estritamente voltada para o binômio trabalho-família, recebemos um convite para jantar na casa de uma vizinha, que também é mãe de um coleguinha da escola do meu filho maior. Foi difícil conter a "ansiedade". Explico-me. Não foi a primeira vez que fomos convidados para a casa de alguém aqui, mas nesses 3 meses realmente não foram muitos os convites - nem poderiam ser. De todas formas, esse foi o primeiro convite realmente CONQUISTADO, vindo de gente que conhecemos depois que chegamos, sem nenhuma "obrigação" social para conosco.


Fomos entusiasmados para o encontro e passamos agradáveis momentos. Espero que seja o início de uma amizade duradoura. Percebo mais claramente que criar relações de amizade, realmente afetivas, de maneira que possamos compartilhar experiências e sentimentos, é um aspecto-chave para qualquer adaptação.  Independente de como seja o país em que se vai viver como expatriado, independente da sua casa, da infra-estrutura local, o mais importante é conectar-se com sua gente. Foi devido a Eles, os amigos, que nossa experiencia em Madri foi tão prazerosa, e parece que serão mais uma vez Eles, os amigos (que ainda não conquistamos), que também nos salvarão no Mundo de cá.

domingo, 9 de outubro de 2011

A adaptação a um novo país



Quando se fala sobre a adaptação a um novo país, sobretudo quando se muda com a família, muitos são os fatores que pesam. Construir novas relações, criar novos hábitos, entender os códigos de conduta locais, adaptar-se a um novo estilo de vida e cultura, aprender a deslocar-se, enfim, tudo isso é importante para voltar a sentir-se emocionalmente cômodo no novo ambiente. No entanto, é indispensável que o lado prático da experiência também esteja resolvido para se ter uma rotina relativamente normal: documentos de permanência no país, plano de saúde, carro, telefone em casa, celular, conta em banco, reaprender a fazer supermercado, etc.

Antes de se viver uma experiência desse tipo, temos a impressão de que basta ter os meios financeiros para resolver essas coisas e pronto. No entanto, não é verdade. Não foi assim em Madri e não está sendo por aqui. Em Buenos Aires, estamos vivendo o seguinte... por partes:

- Carro - Devido ao limite de importações imposto pelo governo Kirchner só podemos comprar o carro que estiver disponível no momento no mercado. Ainda assim, um mínimo de um mês é necessário. Em raras ocasiões pode-se conseguir antes. Resultado, estamos a pé até que chegue o carro comprado (menos meu marido que tem um carro da empresa). Quando se está com a família, tendo que levar filho em escola, fazer supermercado e tudo o mais, é um transtorno. Alugamos um carro por um período, mas agora temos que ir nos virando com táxi ou remis (serviço similar), pois percebemos que é mais barato. Não podemos depender de transporte público, que é ruim como no Brasil, diferentemente do da Espanha, que é de excelente qualidade.

- Celular - tem que ser pré-pago até que eu tenha o DNI (RG) da Argentina (também é necessário o DNI para se abrir conta em banco). Quando mais preciso, termina o crédito - um estresse!

- Telefone em casa - há mais de um mês que pedimos e por algum motivo desconhecido ainda nao foi instalado. A Telefônica é ruim em qualquer lugar, também era horrível em Madri. Quando se tem filho pequeno, um telefone em casa é importante.

- Plano de saúde - temos um seguro internacional que funciona bem mediante reembolso. Ainda estamos decidindo, mas o mais provável é que a gente faça um plano de saúde por aqui que é o comum na classe média. Em Madri, utilizávamos o sistema público de saúde, que é excelente.

- Documentos de permanência - Tentamos por aqui para mim e meus dois filhos e conseguimos marcar a entrevista para fevereiro do próximo ano. O meu marido, que veio a trabalho, retirou o dele em um mês. Também é verdade que ñ priorizamos o tema. Em Madri também demorou. Enquanto isso, eu e os meninos estamos com visto de turista e temos que sair do país de 3 em 3 meses - boa desculpa para irmos ao Brasil agora em outubro.

Outras cositas:
- Deslocamento de carro - até se conhecer um pouco mais, só é possível com GPS. Mesmo assim, uma vizinha me comentou que só transitasse por locais mais movimentados porque é perigoso;

- Fazer compras no supermercado - as marcas são parecidas com as disponíveis no Brasil, no entanto, devido ao limite de importações predominam marcas locais. Também tenho que aprender os nomes dos cortes das carnes (por enquanto, tenho a sorte de estar com a minha sogra em casa, que se ocupa do tema). Sinceramente, atualmente creio que temos à disposição no Brasil produtos de melhor qualidade. Em Madrid, tudo é muito diferente, mas também é mais prático porque tudo é pensado imaginando-se que não se tem um empregado em casa à disposição.

- Assinatura de jornal - só se tiver um cartão de crédito local, que depende necessariamente de se ter uma conta corrente por aqui, que por sua vez depende de se ter o DNI argentino (RG). Em Madrid, é raríssimo que alguém assine jornal em casa (a explicação daria outro longo post).

Bom, a maioria dessas coisas ainda não solucionamos. Signfica dizer que até então vivemos alguns pequenos (e às vezes grandes) estresses diários. A recomendação é, mais uma vez, ter paciência e bom humor. Quando falta algum dos dois ou os dois, surge a tão famosa vontade de voltar.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A caixa da paciência

Chegaram nossas malas (caixas) de Madrid. É que nossa mudança veio de navio e levou dois meses no trajeto até Buenos Aires. Felizmente, dessa vez demorou exatamente o tempo programado. Quando nos mudamos do Brasil pra Espanha, nossas coisas - móveis, utensilios de cozinha, álbuns, livros, brinquedos, enxoval de cama, mesa e banho - levaram 6 meses para chegar. Passamos um bom tempo com uma cama na sala, que fazíamos de sofá para assistirmos à televisao. Quando chegaram, já haviamos comprado o básico no baratíssimo IKEA e nem nos lembrávamos mais do que havia na bagagem.

Essa é minha segunda experiência de mudança de país e percebo que dessa segunda vez encarei com menos ansiedade a falta das minhas coisas. O tempo vai passando e a gente vai desapegando. Valorizo mais as fotos e pequenas lembranças que compro em cada lugar que vou. Elas me fazem lembrar de acontecimentos mais relevantes; onde estava, como me senti... fazem com que passe um pequeno filme na minha cabeça. Se tivessem dito que o navio tinha afundado com tudo, seguramente teria lamentado bastante, mas de pouca coisa eu sentiria realmente falta...

Ainda assim, é divertido remontar uma casa. Minha "diversão" atual é abrir caixas. E percebo que pouco a pouco vou redescobrindo meus objetos. Cada um conta um pouquinho da nossa história. Têm as caixas da saudade, com objetos de decoração do Brasil e de Madri; as caixass da chatice, com os utensílios de cozinha; as caixas do incompleto, com o material do meu doutorado; as caixas do "novo amor" com as coisinhas do meu segundo filho de apenas 3 meses; as caixas do antigo novo amor, com as coisas do meu primeiro filho de 9 anos; as caixas do primeiro amor, com as referências do namoro, noivado e casamento; as caixas da aventura, com panfletos, fotos e objetos de viagens; as caixas do esquecido, com as cifras de músicas para violão; as caixas da amizade, sobretudo com as lembranças do antigo trabalho; as caixas da desilusão, com projetos incompletos, recortes de jornal e  revistas e referências de sonhos não concretizados; as caixas do conhecimento, com os livros sobre os mais diversos temas; as caixas da diversão, com cds, dvds... Mas sem dúvida predominam as caixas da saudade e do supérfluo, com tantas coisas que acumulamos que realmente não necessitamos.

Bom, a reorganização e decoração do novo ambiente ajuda no processo de adaptação. Nossas coisas de certa forma têm a nossa cara e essa identidade faz com que a gente se sinta mais em casa. Bom, de todas formas é cansativo e ainda falta toda uma semana de organização... Agora mesmo estou procurando a caixa da paciência, ela precisa estar em algum lugar dessa casa.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Uma estranha em meu jardim



Nasceu uma flor no meu jardim. Não sei se poderia classificar o que tenho hoje como um jardim (ainda), já que ele está mais para um matagal do que qualquer outra coisa, mas o fato é que nasceu uma bela flor assim do nada, do dia pra noite. De repente ela estava ali. Como não há nenhuma outra da sua espécie, ela se parece mais com uma  intrusa... (ou seria uma estrangeira?!). Por muito pouco não me virei e lhe disse que deveria ter me pedido permissão para aparecer assim na "minha" propriedade, sem mais.  E logo eu que não entendo nada de flor! Por muito pouco não lhe fiz um interrogatório para entender de onde ela vem e o que veio fazer aqui... Me senti meio esquisita cogitando uma conversação com uma flor... pero bueno... Será que ela também nao se sente assim meio esquisita?, será que ñao tem dúvidas se é bem vinda? Com tanto lugar para estar... Enquanto durar essa relação (afinal, o natural é que ela se vá antes de mim - espero), estamos meio desconfiadas uma com a outra. Demorei a perceber que ela traz um novo colorido ao ambiente, um tom mais alegre à monótona paisagem. E ela, o que será que espera de mim? Cuidá-la, talvez? E assim estamos, distantes e confusas.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Ser estrangeiro - Parte I

Ser um (recém) estrangeiro é...

Estar sempre cometendo gafes;
Ser identificado pela nacionalidade ("aquella chica, la brasileña");
Buscar sempre um sorriso na esperança de uma amizade;
Nunca saber se cometeu algum erro de concordância no outro idioma (como mínimo);
Perder-se, quase sempre (achar-se, quase nunca);
Ficar ansioso quando toca o celular e não é o marido (pode ser uma das duas únicas pessoas que também têm o seu número e quem sabe vai te convidar pra alguma coisa, qualquer uma vale);
Contar os dias pra visitar a terra natal ou o último lugar em que viveu (Brasil ou Madrid);
Viciar-se em facebook, twitter e tudo o mais que possibilite um relacionamento social;
Estar sempre por dentro do câmbio e convertendo a moeda local;
Aprender mais sobre o lugar de origem porque sempre te perguntam coisas que você nunca teve curiosidade em saber...

Recomeço

Como é difícil recomeçar qualquer coisa! Seja um novo emprego, um novo amor, criar um filho, uma nova casa, uma nova vida em um outro lugar... um blog... e quando algumas dessas coisas recomeçam juntas, recomeça o caos!

Com mais ou menos complexidade, recomeçar é sempre um tema difícil... Está intrínseco ao recomeço a idéia do novo, da mudança... O recomeço envolve todo o peso do "começo" misturado com o cansaço do "re". É toda a carga do novo misturada com o revival do "de novo".

E por falar em recomeçar, está recomeçando a primavera. Com um clima mais quentinho aqui em Buenos Aires, meu recomeço tende a ser mais florido, colorido e doce. Também é típico dos recomeços o despertar da esperança, aquela que sempre dá o ar de sua graça quando mais se precisa. Espero que ela pouse bem muito no meu jardim. O mundo de cá agradece.

sábado, 17 de setembro de 2011

O Momento de Voltar




Eu voltei!...


Tudo estava igual
Como era antes
Quase nada se modificou
Acho que só eu mesmo mudei
E voltei!...

Pois é. Aqui estou eu. De novo na blogosfera. Agora, em novo mundo: Buenos Aires. Mais estrangeira do que nunca. Deixei Madrid em maio deste ano, tive meu segundo filho em junho no Brasil e vim viver na Argentina há um mês. Continuarei meu doutorado em algum momento, a distância e...

Enfim... Eu voltei pr'as coisas que eu deixei
Eu voltei!...

Tentando mais uma vez adaptar-me.
Tal como Roberto Carlos, fui abrindo a porta devagar, mas deixei a luz entrar primeiro...
Todo meu passado iluminei,
E entrei!...

Meu retrato ainda na parede
Meio amarelado pelo tempo
Como a perguntar
Por onde andei?

E eu falei!...
"Onde andei!
Não deu para ficar..."

Eu voltei!...

Sem saber depois de tanto tempo
Se havia alguém a minha espera
Passos indecisos caminhei
E parei!...
(...) Tanto quis dizer e não falei
E chorei!...

(Trechos da composição O Portão de Roberto Carlos / Erasmo Carlos)